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Valores de referência para TSH.Como interpretar?

Valores de referência para TSH. Como interpretar?
João Mandarino

Os valores de referência para a quantificação sérica do hormônio tireotrófico (TSH) tem sido questionado a pelo menos duas décadas. Entretanto, recentemente tem sido ressaltado a existência de doenças tireoidianas sub-clínicas na qual a definição dos valores de normalidade do TSH é determinante para a confirmação diagnóstica. Sociedades de endocrinologia e de análises clínicas não possuem um consenso relacionado ao intervalo de referencia para o TSH, sendo assim, há uma ampla discussão sobre os limites ( principalmente superiores) de normalidade deste hormônio.

Em indivíduos normais, os valores de TSH apresentam alteração de ritmo circadiano com a secreção máxima ocorrendo no período noturno. Estes picos de TSH são próximos a 5,5mUI/L. Porém as variações diurnas não são suficientemente divergentes para que a coleta de amostras para a quantificação deva respeitar algum horário específico.

A “National Academy of Clinical Biochemistry” dos Estados Unidos da América tem utilizado em seus guias clínicos os valores de referência de TSH normais àqueles compreendidos entre 0,4 e 4mUI/L. Entretanto, o mesmo sugere que os limites superiores poderão, futuramente, serem reduzidos para 2,5mUI/L devido a observação de que 95% dos indivíduos eutiroidianos apresentam valores de TSH abaixo deste nível. Ainda, há um aumento significativo de evolução para doença tireoidiana naqueles indivíduos com valores de TSH superiores a 2,5mUI/L. Em tratamentos clínicos, utiliza-se valores de TSH entre 0,5 e 2mUI/L como parâmetros para ajuste de dose na reposição de hormônio tireoidiano. Ao reduzir os níveis normais de TSH para estes novos valores, isto significaria um aumento de 5 para 20% da população com a presunção de hipotireoidismo. O que pode sugerir um número muito elevado de pacientes com exames falsos positivos.

A controvérsia sobre alteração dos valores de referencia para o TSH é tão evidente que a Sociedade Americana de Endocrinologia (Endocrine Society) apresentou argumentos a favor e contra a modificação dos valores dos níveis de referência para o TSH. Em suas defesas o que se observa são: a) há um relativo excesso de diagnósticos de hipotireoidismo sub-clínicos que são, desnecessariamente, tratados; b) os valores prévios para a determinação de TSH poderiam estar “contaminados” com indivíduos com hipotireoidismo sub-clínico.

Os métodos mais atuais utilizados para a quantificação de TSH têm apresentado uma melhor sensibilidade e especificidade. Estes métodos têm possibilitado reduzir os níveis de valores de referência para a quantificação de TSH. É consenso entre os laboratórios que utilizam estes métodos mais específicos, em utilizar os valores de referencia para normalidade do TSH entre 0,5 a 5,0 mUI/L.

No LABORATORIO BIOMÉDICO as dosagens de TSH são realizadas com metodologias atualizadas, razão pela qual seus níveis de referência estão sendo reajustados para valores compreendidos entre 0,5 e 5,0mUI/L. A avaliação de quantificações de TSH realizados no LABORATÓRIO BIOMÉDICO durante o ano de  2011, representaram em média valores de 2,32mUI/L e o valor de referência para este período foi de 0,50 e 5,07mUI/L.

Para maior confiabilidade nos resultados, o LABORATÓRIO BIOMÉDICO avalia seus coeficientes de variação dos métodos e foi observado que: a) a sensibilidade dos métodos atualmente utilizados são de 0,002mU/L; b) o erro intra-ensaio foi de 2,3%; c) erro inter-ensaios foi de 4,2%. É importante salientar que cientificamente uma metodologia é considerada adequada quando os erros são inferiores a 10%. Assim, a metodologia realizada no laboratório pode ser considerada de alta sensibilidade e especificidade, assim como de excelente reprodutibilidade.

Bibliografia
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